Páginas

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A influência dos Meios de Comunicação



Os Meios de Comunicação de Massa tem uma forte influência na vida social brasileira e, em conseqüência, dos brasileiros.
Antes de mais nada, é preciso ficar claro a evidente importância que tem esses Meios, especialmente a TV, o Rádio e os Jornais impressos. Por esses Meios são diminuídas as distâncias, com mais rapidez as informações chegam ao destino nos mais diferentes pontos do país e tantos outros benefícios podemos vislumbrar propiciados por esses Meios.
Para isso acontecer, há que se ressaltar a importância das Rêdes formadas pelos Meios de Comunicação como Rádio e TV: num mesmo instante, a informação transmitida no eixo São Paulo-Rio (onde se localizam as fontes principais dessas rêdes), chega aos outros pontos do território brasileiro onde os sinais de transmissão são recebidos, inclusive, até fora do país.
Dito isto, penso que devemos não nos esquecer das diversas identidades de nosso povo e até que ponto os Meios de Comunicação estão, de fato, servindo para valorizar a nossa gente brasileira.
Se, de um lado, os Meios de Comunicação de Massa ajudam no processo de integração do conhecimento apresentando as evoluções proporcionadas pelo desenvolvimento econômico, político, social, tecnológico, etc. favorecendo, muitas vezes, uma tomada de consciência em prol da melhoria de vida de regiões com camadas da população excluídas do progresso; de outro lado, percebemos os danos que esses mesmos Meios causam na identidade do povo em seus aspectos sociais, religiosos, culturais, etc.

“A programação das TVs levadas em Rêde
não respeita as diversidades regionais.
Por isso é necessário a criação das TVs locais,
por meio das ‘TV PÚBLICA’ ”.

Em encontro recente com Dom Geraldo Magela de Castro, Arcebispo emérito de Montes Claros, Arquidiocese ao norte do estado de Minas Gerais, já próxima do sertão do Estado da Bahia, conversei sobre esta realidade apresentada pelos Meios de Comunicação, especialmente a TV, que atinge, algumas dessas Rêdes, vasta região do território brasileiro que não tem um canal de televisão e, muitas cidades brasileiras, não possui nem emissora de Rádio. Grande parte do Brasil recebe a programação dos grandes centros como São Paulo e Rio. A realidade apresentada a esse povo é a de setores sociais de São Paulo e Rio de Janeiro que já diferem entre si e, por isso, são negativas até para o público local.
-Imaginem quando são levadas tais imagens ilustrando a vida de uma região, massificando informações que dizem respeito a determinada situação de interesse próprio de tal local ou de setores sociais definidos?
-Imaginem um programa como o “Big Brother” que apresenta realidade não assimilada até pela sociedade dessas cidades como São Paulo e Rio, chegando todos os dias na casa de uma família do sertão da Bahia, por exemplo? É uma verdadeira afronta aos valores de vida desse povo.

Aliás, nem é preciso sair da cidade de São Paulo para constatarmos esta realidade.
O que recebemos em casa que contrariam a nossa formação moral e ética e que são apresentados como “novos valores”, portanto, verdades que devem ser assimiladas em nossa vida?
Os “valores” transmitidos por diversos programas de TV, ou mesmo de Rádio (e, claro, tem as exceções), são aqueles que ensinamos aos nossos filhos e que a sabedoria dos nossos pais nos transmitiram em forma de ensinamento?

Daí se faz importante a reflexão a respeito das “TV PÚBLICA” que vagarosamente começam a acontecer. É necessário que cada local tenha a sua TV, como também é necessário que as rádios comunitárias se espalhem (não rádios piratas). Uma TV local, com seu conteúdo próprio, poderá ajudar a fortalecer a identidade própria do povo e tirá-lo da condição de refém deste ou daquele grupo econômico, desta ou daquela ideologia e libertá-lo para sua verdadeira vocação expressada em sua religião, em sua cultura, visando uma vida social mais digna, mais igualitária tanto em nível regional como em nível de sociedade brasileira.

“Enquanto só, sou fraco;
quando unido com outros formamos um grupo.
Quando o grupo está consciente do problema e
luta pela solução, nos tornamos fortes e invencíveis
na defesa dos direitos das crianças,
dos mais fracos e dos que não tem voz.”

Pensemos sobre estas questões e façamos cada qual a nossa análise. Não precisamos cruzar os braços sentindo-nos impotentes como se tivéssemos diante de um ativo “dragão”. Se o rumo não está correto é preciso mudar o rumo, pois todos somos sujeitos da história e não meros expectadores de uma história construída por alguns poucos. Se assim for, de sujeitos passaremos a vítimas sem direito, ao menos, de pedir socorro.

Wilson Cotrim
Radialista/Teólogo

Nenhum comentário: